sexta-feira, 26 de dezembro de 2008




VONTADE

quero a parte que me toca
desta joça programada :
não somente
parte armada
-quero a lua
quero a saga
desta terra não sagrada-
Adivinhas?
Tua cara.
Teu gemido,
tua cama.
Quero aquilo
que não doas:
teu silêncio
e tua jogada!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Poema para um Dia
Manhã
O sol da manhã me embebeda
dourado
e ainda embriagado de lua.
Seu frio é de tímido julho
até com seu sangue de fogo.
Talvez eu me espalhe nos fios
e em postes te deixe recados
ou mesmo dilua na rua
os poucos segredos que guardo.
Por fim... sem o absurdo desejo
de um dia dormir ao teu lado
Tarde
Tocam violinos e soam
os raios do sol espalhados.
A cor que anoitece sem pressa
contrasta os motores dos carros.
Estrelas aos poucos me avisam
que a noite esbarrou num telhado...
Noite
De novo avisar às pessoas
que o escuro do inverno é contado;
que poucos minutos lhe restam
à lua e ao sol deste lado...
A face da Terra se aquieta
em troca do céu estrelado
e a tarde que morre é beijada
por pássaro em vôo rasgado...

domingo, 7 de dezembro de 2008

Vídeo : "As Insones" Maria Campiglia


Acesse :



Vem e Vai
Não me furto aos sentimentos
que me expõem e ventilam
como peça no varal.
Abro os braços
abro os poros
e me extendo sem pensar:
quem se fecha diminui;
se apoquenta -vai chorar-.
Se chorar eu precisasse
o faria feito o mar
com o ritmo do planeta
que ora vem;
mas ora vai!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008





DOMINGO


Vamos pela esquina

eu e meu vestido.

Ele satisfeito

e eu

de peito aberto :

quase exagerado

ou tudo, só por dentro...


Cores nas calçadas

alçam mãos e dedos

(leves como plumas

quase num soneto).

Sou dona da escada

praça- igreja

e nada.


Já que tenho os sinos

lá no alto e longe

cola-me o vestido

gasto,de domingo.


Não vou pedir nada

porque em nada creio...


Mas é fiel

o vento

raso

em meus sentidos


domingo, 30 de novembro de 2008



PERDA de TEMPO


Quero perder a corda

desta coerência lenta:

quem sabe trem e viagens

dessas que vão ao nada.


Muito melhor chinelo,

perda de tempo...é arte!


LUARES sem DONO


Respiro a noite suave

e absorvo a lua cheia.

Não sei por quem aprumam

os encostos desta rua,

nem sei a quem dedico

meu branco olhar de espuma.


Queria teu sorriso

sem partes nem esquemas.

Não sei porque me iludo

pensando..."vale a pena"!


Eu sei das cercas altas

que vamos construindo;

das bárbaras defesas

que sempre bom é tê-las.

Mas subo pela corda

da eterna lua cheia..!



CHEGADA

Ao chegar

me despertaste deste inverno

como fazem primaveras

em ressaca.

Eu pisei no teu quintal

morta de fome

(essa fome que só morrecom olhares).

Sem saber

como florescem teus sentidos

arrisquei acreditar

que estavas vivo.

Luas cheias

e minguantese domingos;

sempre assim meio distante

eu - contigo.


Porque são como montanhas

-quase abrigos-

os lugares que me deste

e eu...deliro!