
PERDA de TEMPO
Quero perder a corda
desta coerência lenta:
quem sabe trem e viagens
dessas que vão ao nada.
Muito melhor chinelo,
perda de tempo...é arte!
LUARES sem DONO
Respiro a noite suave
e absorvo a lua cheia.
Não sei por quem aprumam
os encostos desta rua,
nem sei a quem dedico
meu branco olhar de espuma.
Queria teu sorriso
sem partes nem esquemas.
Não sei porque me iludo
pensando..."vale a pena"!
Eu sei das cercas altas
que vamos construindo;
das bárbaras defesas
que sempre bom é tê-las.
Mas subo pela corda
da eterna lua cheia..!
CHEGADA
Ao chegar
me despertaste deste inverno
como fazem primaveras
em ressaca.
Eu pisei no teu quintal
morta de fome
(essa fome que só morrecom olhares).
Sem saber
como florescem teus sentidos
arrisquei acreditar
que estavas vivo.
Luas cheias
e minguantese domingos;
sempre assim meio distante
eu - contigo.
Porque são como montanhas
-quase abrigos-
os lugares que me deste
e eu...deliro!