domingo, 16 de maio de 2010


Tua Manhã

Alinharás o teu café
com os olhos penetrando no vazio.
Eu não sei onde estarei
nem adivinho:
a qualquer preço de nós
sorte ou destino
quantos anos passarão
quanto frio...

Poderia ser formal
remarcado como preço
costumeiro
sem desvios:
morreríamos
incautos
cheios de bom senso no decorrer
do explícito.

Aqui
a tua manhã tem olvidos.
O lado nosso
ao lado
não é nem será
lado a lado
mas comigo
ou
se deixares:
contigo.
Foto: Tatiana Caixinha


Pertencer.

-ou : pertinência?_


Alinhar ao centro

Sei que caminhas outros montes

porque não poderia ser diferente

ou porque o mundo é vasto

minucioso

e indulgente.

Sem cadastro de corporações

limites toscos

ou possessões

até porque descabidas quando se trate

de gente.

Pertences são males pendentes

até necessários

quando se fala em objetos.

Murais.

Carros ou pontes.

Mesmo as chaves que trancam portas

tem sua raiz nos pertences.

Pertenço não

eu

nem pertence

ele.

Nem a mim,

nem a ele.

Mas pertinência é outra coisa:

dizer respeito às miradas

tênues.

Nesse pertence

eu ponho gente.


cristina

sábado, 15 de maio de 2010

As Insones

foto : encontrada em http://luzdeana.zip.net/arch2008-03-01_2008-03-31.html



Lugar

Não tenho nada
a não ser o tempo.
Tenho?

Escasso e vestido de louco
rouba-me tudo
ou quase tudo...

Ele mata as horas
e tu demoras.

Eu sou alheia
à Terra inteira
e com gosto estranho
meço o que sobra
sigo o que falta
não digo nada:
talvez montanhas
pedras e verdes.

É Terra alheia
esta que gira.

Queria saber aonde fica
aquele lugar que habitas
quando te escondes dos outros
feito lobo.

Queria
nesta Terra esquisita
enxergar tua guarida.
http://blogalternarte.wordpress.com/2009/12/04/imageticos-vi/

Achado

Uma das madrugadas
que não levaste
de repente
apareceu.
Não sei o que fazer com ela
mas o pior
é que também não sei
o que fazer
sem ela.

Carne

Carne

Por quê me afligiria
com o que tens de tão humano
que foge
que despenca
e transa
alucinado?

Eu me resguardo da santidade
cuidando
para manter
intactos
os meus pecados.

Eles me garantem a estadia
pagam Terra e comida.
São ingenuos
e às vezes
comigo
ficam assustados

terça-feira, 20 de abril de 2010

Coisa eu

Coisa eu

Alguma praia deserta
invade o sol
e o planeta
dos meus segredos inquietos
e das entradas e pernas...

Não sei se vens
ou se ficas
nem quero ser
quem te chame.

Se não sabias : eu durmo
do lado inverso da cama.

Não curto sol meio dia
mas quase à noite
e a brisa...

Ignoro datas e horários
mas guardo nome de rua.

As meias só sem costura.

Queimo panelas
esqueço
lavo vasilhas
não lavo.
Leio de noite, de dia.
Sou como gente
mulheres
que vivem só.
De alma nua.

Cristina